1. Preservação é a regulamentação ininterrupta da criação por meio de leis naturais. A constância da vontade de Deus possibilita a constatação das leis e o trabalho das ciências naturais, cujas teorias representam abordagens dos princípios divinos estabelecidos na criação. Cada criatura desempenha uma função designada por Deus e para ser exercida em dependência a ele. A preservação de Deus permite uma combinação de todas as formas existentes. Contudo, a criação, outrora perfeita, agora está sujeita à corrupção (Rm 8.20).
2. Cooperação ou concordância assevera que Deus é causa de toda ação sem negar que a criatura também seja causadora de suas próprias ações. Deus é a primeira causa de toda ação, e a criatura, a segunda. Assim, Deus causa o levante do sol, e o sol se levanta. Deus participa também de todas as decisões humanas sem contrariar a vontade do homem. Ele é instigador de todo bem (Tg 1.17). Nos incrédulos, Deus opera a justiça externa ou civil mediante a lei escrita nos seus corações (Rm 2.14). Nos crentes, Deus origina os bons pensamentos, a capacidade de realizá-los, e as ações (Fp 2.13). Deus não é o causador do mal, nem o pode ser; a maldade é, por definição, aquilo que se opõe a Deus e assim não é aprovado por ele. A obra expiadora de Deus em seu Filho é com intuito de vencer o mal. O mal não é absoluto, mas está sujeito a Deus. Conquanto não o erradique, forçosamente, ele o dirige, suprime o mal e usa até o mal para o bem final (Gn 50.20).
3. Governo é a direção divina de tudo o que existe para a consecução dos seus alvos. Para Deus, todas as coisas acontecem por necessidade, sendo por ele determinadas. Os cristãos reconhecem que Deus dirige o mundo para o seu bem (Rm 8.28). A direção predeterminada de todas as coisas é racionalmente irreconciliável com a capacidade do homem para mudá-las. O homem é uma criatura moral responsável por suas tomadas de decisões e pelas suas conseqüências. Assim mesmo, sua vontade é o instrumento de Deus para os seus próprios propósitos. Jesus morreu em função do plano predeterminado de Deus (Ef 1.3–14), conquanto seus executores permaneçam sendo responsáveis pelo seu ato (At 4.27). Judas é responsável por ter traído Jesus, ainda que Deus tenha ordenado suas ações (Mt 26.24). A oração pressupõe a possibilidade real de que Deus pode mudar o futuro (Tg 5.16). Ezequias orou pedindo que Deus estendesse sua vida (2 Rs 20); contudo, é Deus quem decide o comprimento da vida do homem (Jó 14.5).
4. A providência é negada pelo fatalismo e pelo casualismo. O fatalismo, principal idéia do estoicismo, diz que tudo é inevitável, incluindo a decisão moral. Isso retira do homem a responsabilidade ética e faz que a resignação seja uma atitude correta em face do inevitável. O maniqueísmo, o taoísmo (q.v.) e o islamismo são também fatalistas. O interesse contemporâneo em horóscopos reflete uma forma de fatalismo na qual os sinais do zodíaco determinam a personalidade e o destino. O casualismo diz que tudo acontece por acaso. O epicurismo é sua expressão clássica; o mundo se juntou por acaso e continua sem direção. Isso resulta, logicamente, no ateísmo ou no agnosticismo.
5. Os cristãos crêem que Deus dirige todos os eventos para sua glória e seus propósitos, e que responsabiliza o homem, pessoalmente, por seus atos. Os cristãos, em sua decisão constantemente, se alinham com os alvos de Deus revelados em Cristo. (David P. Scaer)

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