quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O que acontece então se cometemos um pecado?

Com o que podemos pagar, se tudo o que temos, ou podemos ter, devemos a Deus? Além do mais, o pecado é uma ofensa contra o Senhor infinito e, portanto, o mínimo pecado é uma ofensa infinita. Como podemos, como seres finitos, pagar a dívida infinita que temos com Deus? Na verdade, só Deus poderia pagá-la, pois só Deus é infinito. No entanto, não compete a Deus pagar a dívida que, na realidade, é da humildade. Por essa razão, Deus torna-se humano para que, mediante o sacrifício na cruz do Deus-homem, Jesus, seja possível fazer um pagamento humano e, ainda assim, finito pelas dívidas de toda a humanidade.
Justos L. González (Uma breve História das doutrinas cristãs -p.145-146)

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

É impossível que os seres humanos não pequem

 Se é impossível que os seres humanos não pequem, como poderão, nesse caso, aceitar a graça de Deus e tornar-se crentes? Tal etapa não pode ser pecado e, portanto, encontra-se além das opções possíveis aos humanos caídos. Então, como isso pode acontecer? Somente através da graça de Deus. Antes que homem o deseje e sem que a vontade o decida, a graça intervém, restaura a vontade e, com ela, a liberdade de amar e servir a Deus. Santo Agostinho diria que a graça não é o resultado da vontade. A graça move a vontade –ainda que isso seja feito com “suave violência”, em que a vontade é alterada sem nenhuma coerção. O que dizer então dos descrentes? Eles resistiram à graça que lhes foi concedida? Embora a princípio essa explicação possa parecer viável, ela implica que aqueles que creem o fazem por causa de uma atitude ou decisão diferente de sua parte, o que nos leva de volta a atribuir a salvação a uma decisão da vontade, não à graça de Deus. A única solução possível é fazer tudo depender da graça de Deus, não da aceitação ou resistência da vontade humana. A graça deve ser irresistível, pois se a vontade do homem pudesse resistir, ele insistiria no pecado. Deus concede essa graça irresistível para alguns nessa “massa de perdição” que é a humanidade. 
(Justos L. González – Uma breve história das doutrinas cristãs, p.121)

quinta-feira, 27 de setembro de 2018


A vocação ou chamada de Deus tem sentido universal

Na verdade, a vocação ou chamada de Deus tem sentido universal. A ideia reformada da vocação, contudo, não atinge sua expressão plena, separada da ideia de que há vocações particulares. A Reforma recuperou a ideia da santidade de todas as atividades humanas legítimas. O que está em jogo, portanto, não é se alguém é objeto de uma vocação particular, mas se na esfera em que exerce sua atividade, ele realiza o seu trabalho à luz da vocação divina e ali ser a Deus de todo o seu coração. 
Calvino e a sua influência no mundo ocidental p.23

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Jesus Cristo morreu para salvar pecadores

O protestantismo clássico sempre ensinou que Jesus Cristo morreu para salvar pecadores, mas muitos evangélicos contemporâneos estão minimizando a importância do pecado, da salvação e da expiação. No novo evangelho, a salvação é substituída pela terapia. O pecado dá lugar à auto-estima; e a doutrina da justificação pela fé perde espaço para a doutrina do pensamento positivo. Essa nova versão do Cristianismo faz da Bíblia, não uma Palavra de salvação, mas um manual de instruções detalhadas para uma vida feliz. As arestas duras do Cristianismo histórico – as sérias exigências morais, as doutrinas desagradáveis tais como o inferno, Cristo como o único caminho para a salvação – são glosadas, minimizadas, no esforço de reduzir o Cristianismo a uma religião de sentir-se bem. O enfoque da nova teologia não é Deus, mas o eu. As doutrinas objetivas são substituídas por experiências subjetivas; em vez do culto a um Deus santo há um show para a congregação. Tais noções poderão promover o crescimento da igreja, mas não são o Cristianismo histórico. 
(Gene Edward Veith – Reforma Hoje, p.76)

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Aquilo que pregamos é a eterna verdade de Deus

Mas seja qual for a consequência, nunca nos arrependeremos de ter começado, e de ter continuado até aqui. O Espírito Santo é testemunha fiel e inerrante da nossa doutrina. Sabemos, pois, que aquilo que pregamos é a eterna verdade de Deus. Desejamos muito, de fato, como deveríamos desejar, que nosso ministério prove ser salutar para o mundo; mas produzir o efeito pertence a Deus, não a nós. (João Calvino)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Caminhos Cercados


“Portanto, eis que cercarei o seu caminho com espinhos, e levantarei um muro contra ela, para que ela não ache as suas veredas. Ela irá em seguimento de seus amantes, porém não alcançará; busca-los-á, sem, contudo, os achar; então, dirá: Irei e tornarei para o meu primeiro marido, porque melhor me ia então do que agora” (Os 2.6-7).

Este é um parênteses misericordiosos em uma passagem repleta de ameaças.

I.                    O CARÁTER OBSTINADO DE MUITOS PECADORES
1.       Os meios comuns perderam seu objetivo. Os pormenores são apresentados nos versículos anteriores; e depois lemos “portanto”: mostrando que, por causa de fracassos passados, o Senhor estava para tentar outras medidas.
2.       Os meios extraordinários deveriam ser usados agora.
3.       Mesmo esses meios falhariam. Os homens pulam por sobre as cercas, escalam os muros, para chegar aos seus pecados queridos.
4.       Só o poder divino pode ser aqueles a quem nem a cerca nem o muro detêm, a menos que Deus também esteja ali, em onipotência da graça!

II.                  OS MEIOS QUE DEUS USA PARA RECUPERÁ-LOS
1.       Agudas aflições: “Eis que cercarei o seu caminho com espinhos”. Muitos são provados e levados a pensar, mediante o sofrimento.
2.       Dificuldades intransponíveis: “e levantarei um muro”. O Senhor de amor põe paradeiros eficazes, na estrada daqueles a quem ele quer salvar.
3.       Perplexidades que cegam: “Para que ela não ache as suas veredas”.
4.       Fracassos totais: “Ela irá em seguimento, porém não os alcançará”.
5.       Amargos desapontamentos: “buscá-los-á, sem contudo, os achar”.
Esses severos castigos, com frequência, são úteis no primeiros dias de impressão religiosa; são a aradura antes da semeadura.

III.                O RESULTADO ABENÇOADO, AFINAL ALCANÇADO
1.       A lembrança é despertada: “Melhor me ia”.
2.       Extorquida confissão de perda lamentável: “Melhor me ia então do que agora”
3.       Resolução tomada: “Irei e tornarei”.
4.       Afeição incitada: “Tornarei para o meu primeiro marido”.
Voltemos para o Senhor, antes que ele use espinhos para deter-nos.
Voltemos já estamos cercados, consideremos os nossos caminhos.
“Cercarei o seu caminho”. Há a cerca de proteção, para que o mal se afaste deles; e a cerca da aflição, para que se afastem do mal. A cerca de proteção vocês a têm em Isaías 5.5, onde Deus ameaça tirar a sebe da sua vinha; de Jó se diz que Deus o cercou de todos os lados. Mas a cerca mencionada aqui é a cerca da aflição. “Cercarei o seu caminho”, isto é, trarei sobre vocês chagas e pesadas aflições para os guardarem do mal.
A consciência ferida é uma cerca de espinhos; mas esta cerca espinhosa conserva nossos espíritos rebeldes no verdadeiro caminho, os quais, de outro modo, estariam desgarrando-se; e é melhor ser mantido no caminho certo com arbustos espinhosos do que perambular sobre leitos de rosas, num caminho que condiz à perdição (Thomas Fuller).
Um jovem ministro nos Estados Unidos, popular e mui bem sucedido, viu-se envolvido nas malhas da infidelidade, deixou o púlpito, filou-se a um clube de infiéis, e escarnecia do nome que pregara a outros como salvador do mundo. Adoeceu, porém, e estava em seu leito de morte. Seus amidos reuniram-se em torno dele e tentaram consolá-lo com suas teorias frias e geladas, mas em vão. Voltou-lhe o antigo pensamento – a antiga experiência veio perante ele. E disse: Mulher, traga-me meu Testamento Grego“.
Em seu leito, voltou-se para o décimo-quinto capítulo da primeira epístola aos Coríntios. Quando terminou a leitura do capítulo, grandes lágrimas de júbilo lhe rolavam pela face. Fechou o livro e disse: “Mulher, volto, finalmente, à antiga Rocha, para morrer”. 
(C. H. Spurgeon)

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Todos os crentes em Cristo

 O corpo de Cristo não inclui somente os nossos amigos cristãos e a nossa igreja local. Ela inclui todos os crentes em Cristo em todo o mundo. Também se estende para trás no tempo, para incluir os crentes em Cristo que viveram e morreram há centenas de anos. Alguém que crê em Jesus Cristo está unido com todos os outros cristãos, vivos e mortos. Como membros orgânicos do Corpo de Cristo, nós nos tornamos parte do grupo de todos os santos.
Gene Edward Veith, Jr (De todo o teu entendimento p.95)

A habilidade intelectual é dádiva dele

A famosa sabedoria de Salomão não era apenas discernimento moral. Ele é descrito aqui como filósofo, poeta, músico e cientista natural. "Discorreu sobre todas as plantas... dos animais e das aves, dos répteis e dos peixes." Em outra palavras, de acordo com a Bíblia, Salomão era um biólogo. Quase todo tipo de conhecimento, desde as artes até a ciência biológica, desde a música até a psicologia, fora derramado sobre Salomão pelo criador de tudo isso. Pois Deus é sempre designado como a fonte de todo conhecimento verdadeiro, e a habilidade intelectual é dádiva dele.
Gene Edward Veith, Jr

Uma vida de Legado

Ao hospedar-me num hotel de uma pequena cidade, percebi que havia um culto na igreja do outro lado da rua. Jovens e idosos, todos de pé, lotavam o salão da igreja e se acumulavam na calçada. Ao ver um carro fúnebre estacionado, percebi que se tratava de um funeral. Pelo tamanho da multidão, presumi ser  a celebração da vida de um herói local - talvez um empresário rico ou uma personalidade famosa. Curioso, eu disse ao funcionário da recepção: "Essa é uma participação incrível para um funeral; deve ser de uma pessoa famosa na cidade."
"Não", respondeu ele. "Ele não era rico ou famoso, mas era um bom homem."

Isso me lembrou da sabedoria do provérbio que diz: "Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas..." (Provérbios 22.1). É uma boa ideia pensar sobre que tipo de legado estamos deixando para nossos familiares, amigos e vizinhos. Pela perspectiva de Deus, o que importa não é o nosso currículos ou a quantidade de dinheiro que acumulamos, mas sim o tipo de vida que levamos.

Quando um amigo meu faleceu, sua filha escreveu: "Este mundo perdeu um homem justo e, neste mundo, isso não e pouca coisa!" É esse tipo de legado que devemos buscar para a glória de Deus.

VIVA PARA DEIXAR UM LEGADO PARA 
A GLÓRIA DE DEUS
(Pão Diário Edição Militar)

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Conjunto de princípios

A entrega a todos os nossos desejos obviamente leva à impotência, à doença, à inveja, à mentira, à dissimulação e a tudo o que é contrário à saúde, ao bom humor e à franqueza. Se quisermos alcançar qualquer felicidade, mesmo neste mundo, será necessário muito comedimento; assim sendo, a alegação de que todo e qualquer desejo é saudável e razoável se for forte o bastante não tem nenhum valor. Toda pessoa civilizada e saudável deve seguir um conjunto de princípios segundo os quais escolhe rejeitar alguns desejos e admitir outros.
C. S. Lewis (Cristianismo puro e simples p.141)

A tarefa do educador

A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos. A defesa certa contra sentimentalismos falaciosos é incutir sentimentos corretos. Quando ajudamos a sensibilidade dos nossos jovens a morrer de inanição, o que fazemos é só torna-los presas mais fáceis do propagandista. Pois a natureza faminta será vingada e um coração duro não é proteção infalível contra a insensatez. C. S. Lewis (Abolição do Homem p.20)

Cordeiro de Deus

João o chama de o “Cordeiro de Deus”. Ao contrário do que alguns supõem, por este nome não se compreende simplesmente que Cristo era manso e gentil como um cordeiro. Sem dúvida, isto é verdadeiro, mas seria apenas uma pequena parcela da verdade. Há razões mais grandiosas para Cristo ser chamado assim. Compreendemos por este nome que Cristo foi o grande sacrifício pelo pecado; Aquele que veio para fazer a expiação pela culpa do pecado, através de sua morte na cruz. Ele era o Cordeiro verdadeiro que Deus haveria de prover, mencionado por Abraão a Isaque no monte Moriá (Gn 22.8). Era o Cordeiro sobre o qual Isaías profetizou que seria “levado ao matadouro” (Is 53.7). Era o Cordeiro verdadeiro simbolizado de maneira vívida pelo pecado, a qual Deus prometera enviar ao mundo, desde a eternidade. Ele era o Cordeiro de Deus.
Fiquemos atentos para que, ao pensarmos em Cristo, sempre o façamos conforme João Batista o apresentou nesse texto. Sirvamos a Cristo fielmente, como nosso Mestre. Obedeçamos-lhe Lealmente, como nosso Rei. Atentemos aos seus ensinos, como nosso Profeta. Sigamos diligentemente os seus passos, tendo-O como exemplo. Aguardemos intensamente a sua vinda, como Aquele que há de redimir nosso corpo e nossa alma. Acima de tudo, prezemo-los como o que foi sacrificado por nós e descansemos todo o nosso fardo em sua morte, oferecida como expiação pelo pecado. Que o seu sangue seja mais precioso para nós, cada dia que gloriemo-nos, acima de tudo, em sua cruz. 
J.C. Ryle
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...