quarta-feira, 8 de julho de 2026

Os procedimentos da justificação (Rm 3.21–26)


Deus transforma pecadores em pessoas justas. Como? Ao fazer todos nós justiça de Deus em Cristo (2Co 5.21), também fez com que muitos se tornassem justos (Rm 5.19) ao dar aos cristãos o dom da justiça (v. 17). Esse procedimento ocorre por meio de cinco passos, conforme detalhado na passagem principal da justificação, Romanos 3.21–26. 

1. O plano (Rm 3.21). O plano de Deus em prover a justiça necessária está centrado em Jesus Cristo. Era algo separado da Lei. A construção gramatical não inclui artigo, indicando que ele não estava somente alheio à Lei mosaica, a qual não podia lhe proporcionar essa justiça (At 13.39), mas também de todas as complicações legais. “Manifestou-se” (passado) na encarnação de Cristo, e os efeitos dessa grande intervenção na história continuam até hoje. É algo constantemente testemunhado pela Lei e pelos profetas, que testificaram a vinda do Messias (1Pe 1.11). Portanto, o plano está centrado em uma pessoa. 

2. O pré-requisito (Rm 3.22). A justiça vem mediante (dia, em grego) a fé no Messias revelado, Jesus Cristo. O Novo Testamento jamais afirma que somos salvos por causa da fé (seria preciso usar dia com o acusativo). Ele sempre mostra a fé como o canal pelo qual recebemos a salvação (dia com o genitivo). Porém, para ser efetiva, a fé deve ter um objeto correto, ou seja, a fé salvadora é a fé em Jesus Cristo. 

3. O preço (Rm 3.24–25). O preço pago claramente foi o sangue de Cristo. Para ele, o custo foi o maior de todos. Para nós, o benefício vem gratuitamente (a mesma palavra grega traduzida como “sem motivo” em Jo 15.25), ou seja, não havia motivo em nós, foi somente pela graça divina. 

4. A posição. Quando uma pessoa crê em Jesus, ela é colocada “em” Cristo. Isso a faz ser justa. Fomos feitos justiça de Deus em Cristo. Somente essa justiça sobrepõe-se a nossa condição de desesperança e de pecaminosidade, estando à altura das exigências da santidade de Deus. 

5. O pronunciamento (Rm 3.26). A justiça de Cristo, que nós possuímos, não apenas supre as exigências de Deus, mas também faz com que Deus nos justifique. Somos justos de fato, portanto nosso Deus santo pode continuar sendo justo e justificar todo aquele que crê no Senhor Jesus. Logo, ninguém pode cobrar coisa alguma dos eleitos de Deus, pois aos olhos de Deus somos justos, por estarmos em Cristo. Somente por isso Deus pode nos justificar. (Charles Caldwell Ryrie)

PROVIDÊNCIA DIVINA.

Providência divina é a expressão teológica usada para se referir à supervisão de Deus sobre sua criação. Isso pode ser visto em termos de preservação, cooperação ou concordância, e governo. 

1. Preservação é a regulamentação ininterrupta da criação por meio de leis naturais. A constância da vontade de Deus possibilita a constatação das leis e o trabalho das ciências naturais, cujas teorias representam abordagens dos princípios divinos estabelecidos na criação. Cada criatura desempenha uma função designada por Deus e para ser exercida em dependência a ele. A preservação de Deus permite uma combinação de todas as formas existentes. Contudo, a criação, outrora perfeita, agora está sujeita à corrupção (Rm 8.20). 

2. Cooperação ou concordância assevera que Deus é causa de toda ação sem negar que a criatura também seja causadora de suas próprias ações. Deus é a primeira causa de toda ação, e a criatura, a segunda. Assim, Deus causa o levante do sol, e o sol se levanta. Deus participa também de todas as decisões humanas sem contrariar a vontade do homem. Ele é instigador de todo bem (Tg 1.17). Nos incrédulos, Deus opera a justiça externa ou civil mediante a lei escrita nos seus corações (Rm 2.14). Nos crentes, Deus origina os bons pensamentos, a capacidade de realizá-los, e as ações (Fp 2.13). Deus não é o causador do mal, nem o pode ser; a maldade é, por definição, aquilo que se opõe a Deus e assim não é aprovado por ele. A obra expiadora de Deus em seu Filho é com intuito de vencer o mal. O mal não é absoluto, mas está sujeito a Deus. Conquanto não o erradique, forçosamente, ele o dirige, suprime o mal e usa até o mal para o bem final (Gn 50.20).

3. Governo é a direção divina de tudo o que existe para a consecução dos seus alvos. Para Deus, todas as coisas acontecem por necessidade, sendo por ele determinadas. Os cristãos reconhecem que Deus dirige o mundo para o seu bem (Rm 8.28). A direção predeterminada de todas as coisas é racionalmente irreconciliável com a capacidade do homem para mudá-las. O homem é uma criatura moral responsável por suas tomadas de decisões e pelas suas conseqüências. Assim mesmo, sua vontade é o instrumento de Deus para os seus próprios propósitos. Jesus morreu em função do plano predeterminado de Deus (Ef 1.3–14), conquanto seus executores permaneçam sendo responsáveis pelo seu ato (At 4.27). Judas é responsável por ter traído Jesus, ainda que Deus tenha ordenado suas ações (Mt 26.24). A oração pressupõe a possibilidade real de que Deus pode mudar o futuro (Tg 5.16). Ezequias orou pedindo que Deus estendesse sua vida (2 Rs 20); contudo, é Deus quem decide o comprimento da vida do homem (Jó 14.5). 

4. A providência é negada pelo fatalismo e pelo casualismo. O fatalismo, principal idéia do estoicismo, diz que tudo é inevitável, incluindo a decisão moral. Isso retira do homem a responsabilidade ética e faz que a resignação seja uma atitude correta em face do inevitável. O maniqueísmo, o taoísmo (q.v.) e o islamismo são também fatalistas. O interesse contemporâneo em horóscopos reflete uma forma de fatalismo na qual os sinais do zodíaco determinam a personalidade e o destino. O casualismo diz que tudo acontece por acaso. O epicurismo é sua expressão clássica; o mundo se juntou por acaso e continua sem direção. Isso resulta, logicamente, no ateísmo ou no agnosticismo. 

5. Os cristãos crêem que Deus dirige todos os eventos para sua glória e seus propósitos, e que responsabiliza o homem, pessoalmente, por seus atos. Os cristãos, em sua decisão constantemente, se alinham com os alvos de Deus revelados em Cristo.  (David P. Scaer)

Coisas com as quais se possa brincar

Morte e eternidade, juízo e inferno não são coisas com as quais se possa brincar; o destino eterno da alma não é um assunto qualquer, e a salvação por meio do precioso sangue de Cristo não é uma bagatela. Os homens não são salvos de irem parar no abismo somente por fazerem um pequeno sinal com a cabeça ou com os olhos. (C. H. Spurgeon)

Deus é quem opera a nova vida no ser humano

Não se trata de uma mera reforma na vida, de uma mera reforma no caráter, nos costumes, mas ocorre um novo nascimento. Não é obra do homem, não é obra da carne, não é obra do sangue, não é obra da vontade do homem, não tem nada a ver com aquilo que o homem possa produzir por sua vontade, pelo poder humano. Não! O que vem a Cristo pela fé nasce do Espírito Santo, pela ação poderosa do Espírito Santo! (Itamir Neves e John Vernon McGee)

NUNCA DEVEMOS ESQUECER

 

Nunca devemos esquecer as solenes palavras da Epístola aos Hebreus: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações” (Hb 10.25). Obedeçamos a essa exortação, enquanto vivermos. E, mesmo em face de boa ou má reputação, sejamos freqüentadores regulares da adoração pública. Não atentemos ao mau exemplo de outros ao nosso redor, os quais roubam de Deus o seu dia e jamais vão à sua casa, desde o começo até ao fim do ano. Vamos à adoração apesar de todo o desencorajamento. E não tenhamos dúvida de que, no decorrer da vida, isso nos faz bem. Comprovemos que estamos preparados para o céu por meio de nossos sentimentos para com as congregações terrenas do povo de Deus. Feliz é o homem que pode dizer como Davi: “Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor”; “Prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” (Sl 122.1; 84.10). (J. C. Ryle)

AS AFIRMAÇÕES DA ESCRITURA SOBRE SI MESMA

 

Na própria Bíblia, encontramos inúmeras afirmações e inferências de que as Escrituras são completamente verdadeiras em tudo que dizem:

• Números 23:19:Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?” Se Deus é totalmente verdadeiro e a Bíblia é a comunicação de Deus para a humidade (Hb 1:1–3), segue-se que a Bíblia, como Palavra de Deus, é completamente verdadeira.

 • Salmos 12:6: “As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes”. Salmos e Provérbios são cheios de repetidos louvores acerca das perfeições da Palavra de Deus. Veja, em especial, o Salmo 119.

 • 2 Timóteo 3:16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Esse versículo assevera que, embora a Bíblia tenha autores humanos, as palavras que escreveram têm de ser atribuídas, em última análise, à inspiração de Deus. 

• 2 Pedro 1:21: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”. Outra vez, esse versículo nos lembra que cada palavra escrita na Bíblia é a palavra exata cuja escrita Deus tencionou.

 • João 10:35: “A Escritura não pode falhar”. No ensino e nos debates, Jesus apelou repetidas vezes para as Escrituras do Antigo Testamento, com a suposição clara de que esses textos eram totalmente verdadeiros em tudo que relatavam. Jesus fez referência a muitas pessoas e incidentes do Antigo Testamento, admitindo a fatualidade de todos os detalhes. Embora, com frequência, Jesus tenha censurado entendimentos distorcidos da Bíblia, nunca questionou a veracidade das próprias Escrituras. Como Jesus (conforme relatado nos evangelhos), todos os autores do Novo Testamento são unânimes em sua citação do Antigo Testamento como uma obra historicamente exata.

 • Hebreus 1:1–2: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo”. Se a revelação antecipatória de Deus (o Antigo Testamento) era totalmente verdadeira (“havendo Deus, outrora, falado”), então, com muito mais razão, a culminação da revelação de Deus em Cristo deve ser recebida como totalmente confiável e autoritária. (Rob Plummer).

JESUS FOI ENTREGUE

Jesus foi entregue nas mãos dos soldados romanos como um criminoso condenado à morte. Aquele perante quem, algum dia, a humanidade inteira terá de se apresentar e ser julgada permitiu-se ser injustamente sentenciado e entregue nas mãos de homens iníquos. E por quê? Para que nós, pobres e pecaminosos filhos dos homens, ao crermos nele, sejamos libertados do abismo de perdição e dos tormentos do inferno; a fim de que sejamos livres de toda acusação, no Dia do Julgamento, e sejamos apresentados inculpáveis diante do Pai, transbordantes de alegria. (J. C. Ryle)

terça-feira, 17 de março de 2026

Deus ordena obediência perfeita a toda a lei

 

É verdade que Deus ordena obediência perfeita a toda a lei, de modo que por uma simples transgressão me exponho a julgamento. O pecado mais insignificante me expõe à ira de Deus, pois no menor dos pecados sou culpado de traição universal. Na menor transgressão, eu me coloco acima da autoridade de Deus, insultando sua majestade, sua santidade e seu direito soberano de governar-me. O pecado é um ato de revolução no qual o pecador procura remover Deus de seu trono. O pecado é uma presunção de arrogância suprema, no fato de que a criatura ostenta sua sabedoria acima da do Criador, desafia a onipotência de Deus com a impotência humana e procura usurpar a autoridade legítima do Senhor do universo. (R. C. Sproul)

A possessão mais inestimável da raça humana.

 

A Bíblia é a possessão mais inestimável da raça humana. Por que? Porque ela é o livro que veio de Deus, que contém a revelação de Deus ímpar e completa, para o homem. Devido à própria natureza do caso, a Bíblia precisa ser inerrante, infalível e eterna. E ela é! Tais prerrogativas são satisfatoriamente provadas por muitas evidências. Através dos séculos, uma grande multidão de homens e mulheres colocou toda a sua confiança na veracidade da Bíblia. Alguns foram mortos porque não renunciaram a essa confiança. Muitos mais viveram piedosa e abnegadamente, devido aos seus preceitos. Ela se levanta muito acima de qualquer outro livro. Ela convida à investigação. Ela desafia qualquer teste. Ela é inatingível pela destruição. Ela é aplicável a qualquer raça. É perene em sua atração. É o Livro dos livros, vindo do Rei dos reis. (Guilherme W. Orr)

A Origem do Universo

No universo existe um número de estrelas maior do que o número de todos os grãos de areia de todas as praias e de todos os desertos do planeta Terra. O Sol, por exemplo, é uma estrela de quinta grandeza. Ele possui um diâmetro de 1.390.000 km. Sua massa é de 2 × 1030 kg. Ele transforma 4 milhões de toneladas de matéria em energia por segundo! Só esses números deixam qualquer pesquisador completamente perplexo. Infelizmente, poucos conseguem ver a dificuldade enfrentada pelas teorias que propoem uma origem natural e espontânea do universo. A teoria do Big Bang, por exemplo, se encontra nesse empasse. Segundo essa teoria, o universo teria vindo a existência por meio de “leis físicas estranhas e desconhecidas”. Mas essa é justamente a definição científica para milagre: a atuação de leis físicas estranhas e desconhecidas. Alguns alegam que um dia essas leis serão descobertas e então o Big Bang deixará de ser uma teoria. Mas enquanto isso não acontecer, a teoria continuará necessitando de um milagre para que um Big Bang seja a causa da existência do universo. O universo só é o que é pelas leis que o regem. E essas leis não foram criadas pela natureza! (Adauto Lourenço)

sexta-feira, 13 de março de 2026

Quanto mais orgulhosos formos, mais distantes de Deus!

Quanto mais orgulhosos formos, mais distantes de Deus ficaremos, mais longe da Palavra de Deus permaneceremos e mais distantes da oração estaremos. Com isso, negligenciaremos os atos espirituais e as práticas devocionais — e acharemos que está tudo bem. O orgulho crescerá mais e mais e, quanto maior for o orgulho, mais a ignorância se alojará em nossa mente, menos conheceremos a Deus e mais distantes estaremos dele. Com isso, ficaremos distantes da vida, do prazer, da satisfação, das delícias que ele nos quer dar e de toda força que ele pode nos conceder em meio às lutas e tribulações. (Wilson Porte Jr.)

HUMILDADE E ORGULHO

 

A humildade de Cristo é um traço marcante de sua personalidade. Paradoxalmente, nós, cristãos, que o temos como modelo, padrão e medida pela qual devemos viver, demonstramos enorme capacidade de agir de maneira arrogante diante dos homens e de Deus. Essa demonstração de orgulho se manifesta em diversos prismas e ângulos, o que nos afasta do Senhor e, tristemente, nos torna muito parecidos com o diabo. Há quem diga que o orgulho foi o primeiro dos pecados e há quem creia, a partir de seu entendimento da Palavra, que será o último. Nenhum outro pecado nos torna mais parecidos com Satanás do que o orgulho. Até mesmo o fato de a antiga serpente ser chamada de “pai da mentira” remete à falta de humildade, uma vez que a mentira é resultado direto do orgulho. Inverdades não são fruto de virtude, mas de nossa arrogância — acima de tudo, contra Deus. (Wilson Porte Jr.)

De todos os pecados, o orgulho é um dos mais ignorados!

 

De todos os pecados, justamente o orgulho é um dos mais ignorados no seio da igreja de Jesus. Se, por um lado, seus discípulos tratam de forma implacável quem incorre, por exemplo, em deslizes sexuais, roubos e enganos, por outro, tratam com total tolerância e leniência a arrogância entre cristãos. Pouco se prega sobre o assunto. Pouco se escreve. Pouco se combate. E, assim, os orgulhosos passam a ser vistos com naturalidade por multidões de cristãos. Quando, à luz do evangelho, são uma anomalia. Não é raro ver líderes eclesiásticos, artistas e gente de expressão no meio eclesiástico que se deixam levar pela soberba e pela falta de humildade. Esse mau exemplo passa a ser imitado pelos membros de igrejas e, em pouco tempo, o povo de Deus se vê contaminado por uma epidemia de arrogância — que o digam as redes sociais, onde parece que a arrogância é desejável. Não são poucos os que passam a valorizar, como naturais e desejáveis, títulos, curtidas, cargos, números, fama, reconhecimento e outros aspectos do orgulho humano e pecaminoso. (Maurício Zágari)

terça-feira, 10 de março de 2026

A fé não é uma busca teórica

 

O senhorio de Cristo não é um tema doutrinário abstrato, frio e antiquado. O evangelho não é uma matéria acadêmica. A fé não é uma busca teórica. A graça de Deus não é uma realidade conjectural. O modo como entendemos as verdades do evangelho determinará como vivemos. Todos esses assuntos são dinâmicos, intensamente práticos e de suprema relevância em nossa vida diária. (John MacArthur)

Certeza acerca das coisas invisíveis e eternas

 A fim de viver confortavelmente e morrer alegremente, necessitamos da certeza acerca das coisas invisíveis e eternas que se encontram acima de nós. É necessário que saibamos quem nós somos e para onde estamos indo. Devemos reconhecer que nossa personalidade é mais do que uma onda no oceano, que a batalha moral se encontra bem acima da ordem natural e que os ideais superiores e mais puros da alma não são ilusões, mas realidade. Devemos saber como podemos ser liberados das acusações de nossa consciência e do peso do pecado. Devemos conhecer quem é Deus e que ele é o nosso Deus. Devemos assegurarmo-nos de que estamos reconciliados com ele, e podemos, portanto, nos aproximar da morte e do juízo sem terror. (Herman Bavinck)

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